09/03/2011

Beira - Moçambique


Nasci na província de Sofala, em Moçambique. Vivi o tempo suficiente para sentir o pulsar da terra, a respiração da savana. O espírito afro apoderou-se-me do corpo e moldou-me a alma. Quarenta anos depois (quase), quando me vejo ao espelho, após o banho, o calor húmido da cacimba, a tal neblina africana, empurra-me para fora do reflexo. Quem me conhece sabe que um dia voltarei a pisar os jardins floridos que foram consumidos pela ambição do homem. Por vezes saio da minha carne e mergulho nas minhas pegadas e, pergunto-me porque continuo a sentir-me como um refugiado, buscando a rolha que tapa o buraco da alma, um sentimento perdido no mundo. Provavelmente também já não preenche o meu contentamento interior porque já não tenho raízes nele. Resta-me apenas o “resto do mundo”. Estranho o AMOR que nos agarra bem e nos mantém alimentados por toda a vida. Serão as raízes da terra-mãe?

2 comentários:

ana disse...

Um dia hei-de ir a Moçambique é um sonho que acalento.
Venho agradecer as suas palavras gentis. Gostei das suas fotografias de Milão. Algumas também tenho tiradas nos mesmos espaços.
Tirei na catedral aos arcobotantes são também bonitas.
Abraço!
Ana, vou voltar. :)

. disse...

Vá Ana, q n se arrepende. Moçambique está gravado no meu coração, perdido num tempo que jamais esquecerei. Sou eu q agradeço a sua amabilidade. Sem duvida q é uma das maiores obras góticas da Europa. Tive pena de n ir ao terraço. Brigada Ana, a passagem está sempre aberta… um abraço,t